Enquadramento Teórico


TEORIA DO DÉFICE DE AUTOCUIDADO DE ENFERMAGEM

Para a elaboração deste portfólio e de todo o trabalho desenvolvido anteriormente, foram considerados diversos conceitos e referenciais teóricos, nomeadamente as várias teorias de enfermagem. Destaca-se a teoria que dá  nome a este Ensino Clínico, a Teoria do Défice do Autocuidado de Dorothea Orem surge como um referencial que expande a discussão para situações em que os indivíduos enfrentam dificuldades ou limitações para realizar atividades de autocuidado. Nesses casos, os enfermeiros são vistos como facilitadores que intervêm para suprir esses défices e promover o restabelecimento do autocuidado. Esta abordagem personalizada e focada no utente sublinha a responsabilidade do enfermeiro em ajustar os seus cuidados às necessidades específicas de cada indivíduo. 

Além da Teoria do Défice do Autocuidado em Enfermagem, Dorothea Orem formulou outras duas teorias que tiveram um impacto significativo na prática profissional:


  • Teoria do Autocuidado

A Teoria do Autocuidado enfatiza a habilidade inata dos indivíduos para realizar ações que favoreçam a sua saúde e bem-estar. Segundo a autora, o autocuidado é definido como a prática consciente e intencional de atividades realizadas de forma independente, com o objetivo de preservar a vida, a saúde e a integridade pessoal. Para Orem (2001), este pode ser definido como a prática de atividades que favorecem o aperfeiçoamento e amadurecem as pessoas que a iniciam e desenvolvem dentro de espaços de tempo específicos, cujos objetivos são a preservação da vida e o bem-estar pessoal. Os Requisitos de Autocuidado para o Desenvolvimento envolvem ações destinadas a preservar condições que apoiem os processos vitais, promovendo o crescimento humano e prevenindo impactos negativos decorrentes de situações que possam comprometer esse desenvolvimento. No que diz respeito aos Requisitos de Autocuidado Relacionados com Alterações de Saúde, enfatiza-se a necessidade de atenção e resposta aos efeitos de condições patológicas, incluindo a realização de diagnósticos e tratamentos específicos. Além disso, destaca-se a importância de ajustar o autoconceito para aceitar uma condição de saúde específica e aprender a lidar com os efeitos dessas condições, adotando um estilo de vida que permita a continuidade do desenvolvimento pessoal.


  • Teoria dos Sistemas de Enfermagem

 A Teoria dos Sistemas de Enfermagem destaca a importância do papel dos enfermeiros na prestação de cuidados, especialmente quando os indivíduos não são capazes de realizar o autocuidado de forma independente. Esta teoria propõe três categorias que permitem classificar o grau de assistência necessária. Primeiro, o sistema totalmente compensatório, no qual o enfermeiro assume integralmente a responsabilidade pelo autocuidado do indivíduo. Em seguida, o sistema parcialmente compensatório, onde o enfermeiro auxilia a pessoa nas tarefas que ela não consegue realizar sozinha, estabelecendo uma colaboração ativa entre ambos no processo de autocuidado. 

Para Schumacher & Meleis (1994), As condições que podem influenciar a qualidade da experiência de transição e as suas consequências incluem os significados atribuídos, as expectativas, o nível de conhecimento e habilidades, o ambiente, o grau de planeamento, bem como o bem-estar emocional e físico.

Estas três teorias, de maneira integrada, orientam os enfermeiros na prática diária, oferecendo uma estrutura sólida para a prestação de cuidados individualizados e centrados no utente. Ao reconhecer a importância do autocuidado, adaptar a assistência às necessidades específicas e situar a prática de enfermagem dentro de um contexto mais amplo, as teorias de Dorothea Orem continuam a influenciar e moldar a evolução constante da profissão de enfermagem. 


PROCESSO DE ENFERMAGEM

Com a finalidade de concretizar o projeto de cuidados, destaca-se a metodologia do Processo de Enfermagem como o principal referencial a ser considerado, uma vez que este constitui a base essencial para a execução do mencionado projeto. O mesmo destaca a importância da abordagem sistemática e individualizada na prestação de cuidados de enfermagem, e é através desta que "o enfermeiro percebe os problemas de saúde, planeia, implementa as ações e avalia os resultados" (Souza, M. et al., 2013). Desenvolvida para orientar a prática de enfermagem de maneira lógica e abrangente, o Processo de Enfermagem compreende diversas fases interligadas, cada uma desempenhando um papel crucial na entrega eficaz de cuidados. Estas são, nomeadamente, Avaliação Inicial, Diagnóstico, Planeamento, Implementação e por fim Avaliação Final (Carvalho & Bachion, 2009), (Figura 2) .

A etapa inicial do Processo de Enfermagem corresponde à Avaliação Inicial, na qual os enfermeiros recolhem informações detalhadas sobre o utente, incluindo dados da história clínica, exames físicos, bem como informações objetivas e subjetivas. A partir dos dados obtidos nesta etapa, os enfermeiros avançam para a fase de Diagnóstico, onde são identificados diagnósticos de enfermagem que vão além das condições médicas, abrangendo problemas de saúde reais ou potenciais, assim como as respostas do utente ao processo de saúde e doença. Esta etapa orienta os cuidados, focando em áreas específicas que exigem atenção e intervenção.

Na sequência, na fase de Planeamento, é elaborado um plano de cuidados que define objetivos e intervenções específicas, tendo em conta as preferências do utente e ajustando-se às suas necessidades particulares. Posteriormente, na fase de Implementação, o enfermeiro executa o plano de cuidados, aplicando tratamentos, realizando as intervenções prescritas e oferecendo apoio emocional. Por fim, a Avaliação Final desempenha um papel essencial no Processo de Enfermagem, ao monitorizar a resposta do utente às intervenções, avaliar o progresso em relação aos objetivos traçados e ajustar o plano de cuidados conforme necessário.

Esta última etapa encerra o ciclo do Processo de Enfermagem, fornecendo informações importantes para futuras intervenções e ajustes nos cuidados prestados. Além de garantir a prestação de cuidados de saúde, o Processo de Enfermagem assegura a continuidade dos mesmos, promovendo a evolução e melhoria do estado de saúde do utente.



TEORIA DAS TRANSIÇÕES DE AFAF MELEIS

Outra teoria que rege o Ensino Clínico é a Teoria das Transições de Enfermagem proposta por Afaf Meleis, que delineia uma estrutura conceitual abrangente, categorizando as mudanças na vida das pessoas em quatro tipos de transição. Esta teoria proporciona um entendimento profundo dos processos adaptativos que os indivíduos enfrentam em face de eventos significativos. 

Primeiramente, as Transições Desenvolvimentais estão intimamente ligadas a mudanças no ciclo vital, abrangendo eventos como a passagem da infância para a adolescência, a entrada na idade adulta e o processo de envelhecimento. Já as Transições Situacionais relacionam-se a eventos que 22 demandam alterações nos papéis desempenhados pelas pessoas, como casamento, divórcio, mudanças de emprego e reforma. Outro tipo de transição é representado pelas Transições Saúde/Doença, ocorrendo quando há uma mudança do estado de bem-estar para o estado de doença. E por fim, como referido por Gupta et al. em 2021, os idosos enfrentam diversas barreiras sistemáticas, psicossociais, funcionais e financeiras, que representam desafios significativos para transições de cuidados bem-sucedidas. 

A partir das transições propostas por Afaf Meleis, os enfermeiros têm uma base sólida para abordar as necessidades individuais dos utentes durante momentos críticos de mudança. Esta teoria fornece uma estrutura conceitual que vai além da abordagem tradicional, capacitando os profissionais de enfermagem a oferecerem cuidados adaptativos e centrados na pessoa em uma ampla gama de contextos de transição na vida.

Portfólio Ensino Clínico em Situações de Défice de Autocuidado © 2024 
Desenvolvido por Webnode Cookies
Crie o seu site grátis! Este site foi criado com a Webnode. Crie o seu gratuitamente agora! Comece agora