REFLEXÃO SEMANAL
1ª e 2ª SEMANA
O presente documento surge no âmbito do Ensino Clínico em Situações de Défice no Autocuidado, realizado na Fundação Ferreira Freire. Tem como objetivo demonstrar de forma crítica os meus pontos de vista das aprendizagens adquiridas e dificuldades apresentadas ao longo da semana. O impacto inicial no contacto com os utentes levou-me a questionar se seria capaz de enfrentar o novo desafio e se conseguiria mobilizar os conhecimentos teóricos para conhecimentos práticos.
Ao longo desta semana, observei que a medicação é fornecida em saquetas unidose devidamente identificadas, com a identificação de cada utente e o nome dos medicamentos. No meu ponto de vista, considero que esta estratégia economiza tempo. No entanto, caso ocorra um percalço durante a administração da medicação, como a queda da saqueta no chão, não será possível identificar facilmente qual é o medicamento.
Também observei que as canetas de insulina são preparadas antes de estar com o utente, em uma sala onde ficam armazenadas. No meu ponto de vista, considero esta prática inadequada em termos de enfermagem, pois preparar a caneta antes do contacto com o utente e transportá-la no bolso da farda pode levar a erros de dosagem, aumentando o risco de administrar a dose errada de insulina e, consequentemente, comprometendo a segurança e a saúde do utente.
Ao longo desta semana, percebi a necessidade da desinfeção e lavagem das mãos uma vez que previnem doenças relacionadas com os cuidados de saúde numa Estrutura Residencial Para Pessoas Idosas (ERPI) que, costumam apresentar um sistema imunitário débil.
3ª SEMANA
Ao longo desta semana, no contacto com os utentes e observando os procedimentos efetuados pude desenvolver um pensamento crítico sobre diversos assuntos relevantes para a prática clínica.
Coloquei pela primeira vez uma sonda nasogástrica num utente acamado com disfagia. Em relação a este procedimento, confesso que tinha algum receio uma vez que tinha medo de magoar e causar algum desconforto à pessoa em questão visto que ainda não tenho tanta prática. Existe uma grande diferença em realizar um procedimento num simulador da escola e de o realizar num utente. Contudo, o utente colaborou e com o auxílio da professora, consegui colocar a sonda com sucesso.
Enquanto inseria a sonda, verifiquei que esta era dura o que, no meu ponto de vista, pode causar algum desconforto à pessoa ao inserir bem como com o passar do tempo pode fazer fricção com as paredes do esófago e com a cavidade nasal.
As sondas usadas são de curta duração (silicone), o que implica a sua troca frequentemente causando desconforto e complicações associadas.
No meu ponto de vista, como é utilizada uma alimentação liquida denominada por "fresubin original fibre" e não uma alimentação pastosa, que podia ficar armazenada ao longo da sonda, considero que seria preferível o uso de uma sonda nasogástrica de longa duração para não causar desconforto regularmente.
Ainda em relação ao processo de alimentação, os utentes tentam, por vezes, omitir a sua autonomia havendo necessidade de contrariar esta atitude. Neste sentido, temos de incentivar à promoção do comportamento ativo do utente, sendo o principal objetivo a promoção do autocuidado.
Com o objetivo de promover a autonomia de um utente para que este se alimentasse por si próprio, incentivei-o através de movimentos contínuos com a sua mão em conjunto com a colher desde o prato da sopa até à boca. Embora se tenha sujado, consegui promover a autonomia do utente para tentar torna-lo independente durante a alimentação.
Considero que por vezes os assistentes auxiliares a fim de se despacharem para irem fazer outras tarefas e não perderem tempo à espera de que os utentes comam por sua mão, preferem ser eles próprios a darem a alimentação impedindo assim a autonomia dos mesmos.
4ª SEMANA
Esta terceira semana teve um peso fulcral para a minha aprendizagem, uma vez que me permitiu solidificar e ganhar mais confiança durante os cuidados de higiene, tanto parciais como totais.
Ao longo desta, consolidei a minha pática em relação aos cuidados de higiene bem como melhorei na comunicação com os utentes devido à recolha de informação para o caso clínico de grupo. No meu ponto de vista, a comunicação é o principal elo de ligação entre enfermeiro-utente e vice-versa. Sem esta, não é possível prestar cuidados tão eficazes ao utente o que, diminui a taxa de sucesso durante o procedimento. Através do uso de vocabulário simples e frases explicitas, verifiquei respostas mais credíveis e consciencializadas obtendo assim, toda a informação que pretendia durante a recolha de dados.
Em relação à alimentação por sonda nasogástrica, verifiquei que a sonda de um utente estava obstruída na zona de ligação entre a tubuladura com a parte onde se insere o clamp o que, permitiu um ligeiro desperdício da alimentação. Esta zona está vedada com um adesivo para impedir a sua saída contudo, acho que não está a ser benéfico uma vez que a velocidade a que a alimentação entra na sonda permite a sua saída pela zona obstruída. Por isso, considero que a troca da sonda seria uma mais-valia para o utente em relação a uma possível alteração do material usado para vedação da zona obstruída.
No quarto ao lado deste utente encontra-se uma senhora com sonda nasogástrica que permanece todo o dia no mesmo sítio. Apenas realiza levante para o cadeirão e permanece no mesmo durante o resto do dia até hora de ir para a cama novamente. Na minha opinião, penso que esta utente podia ir para a sala de estar após a hora de almoço como todos os restantes utentes. Permanecer no quarto apenas aumenta os níveis de solidão e aumenta os níveis de demência.
Para concluir, verifiquei que uma grande parte dos funcionários da fundação incluindo a equipa de enfermagem usam adereços, que são materiais que permitem a transmissão de vírus e bactérias. Na minha opinião, considero uma má prática de enfermagem uma vez que estão em contacto diariamente com pessoas imunodeprimidas e facilmente podem infetá-las.
5ª semana
Durante esta semana, pude voltar a conviver com a minha utente, bem como com todos os funcionários da Fundação. Ao longo das férias, fiz uma autorreflexão da minha jornada na Fundação, conseguindo perceber, assim, os pontos que consegui aprimorar, bem como aqueles que irei ter de melhorar até ao fim do ensino clínico, a fim de ter uma boa prestação.
Contudo, nem tudo foi positivo, uma vez que a utente encontra-se com uma infeção respiratória avançada, podendo haver um agravamento do estado clinico. A família da mesma teve um papel fundamental no processo saúde/doença numa fase fim de vida, o que me deixou um pouco questionado.
Na minha opinião, a família tem o direito de se envolver sobre o estado clínico da utente, dando a sua opinião sobre todos os cuidados a serem prestados, mas não sobre o futuro vital da utente. Contudo, não considero que esta necessitasse de chegar ao estado débil em que se encontra, uma vez que era possível e viável ter sido transferida para o hospital para a prestação dos cuidados, mesmo que falecesse. Também considero que a utente, certamente, iria querer ir para o hospital. Ainda assim, não posso afirmar o mesmo caso esta tenha um testamento vital ou estar inscrita no RENTEV- Registo Nacional do Testamento Vital em que expressa o desejo de não receber os cuidados necessários para a sua sobrevivência.
A relação de confiança entre mim e a utente fez com que desenvolvesse afeto pela mesma, querendo, assim, todo o seu bem. Vivenciar todo este momento requer um esforço emocional, colocando de lado os sentimentos e encarnando um lado mais racional e frio, para que a situação não me afete
Com a atribuição de um segundo utente, considero que será possível ganhar novas competências, uma vez que é do sexo masculino e será necessário prestar outros cuidados, principalmente devido ao facto de este apresentar duas lesões por pressão em ambos os calcâneos.
6ª semana
Durante esta semana, continuei a prestar cuidados ao utente do meu caso clínico 2, colaborei com os meus colegas nos seus casos, realizei pela primeira vez uma aspiração de secreções, concluí e entreguei o portfólio e, por fim, participei de um seminário orientado pelo Professor Hugo Neves. O seminário teve um caráter reflexivo e de partilha, com o objetivo de permitir aos estudantes apresentarem alguns PowerPoints.
Em relação à aspiração de secreções, senti-me bastante tranquilo durante a intervenção, graças à presença da professora. Contudo, no início estava um pouco receoso, pois já não me recordava de alguns detalhes do procedimento e do material necessário. Considero que a aspiração de secreções é uma mais-valia para a utente, uma vez que esta se encontrava com dificuldades respiratórias devido à acumulação de secreções nas vias aéreas, o que comprometia a sua oxigenação e conforto. Após a realização do procedimento, foi possível observar uma melhoria significativa na ventilação, alívio do desconforto e a prevenção de possíveis complicações, como infeções respiratórias ou obstrução das vias aéreas.
Para concluir, destaco a exigência envolvida na elaboração do portfólio. Na minha opinião, este é uma mais-valia para os estudantes, pois possibilita o desenvolvimento de pensamento crítico, uma maior compreensão da matéria lecionada ao longo do primeiro ano e do primeiro semestre do segundo ano do curso, além de contribuir para a aquisição de maior destreza na realização de trabalhos.
